Nessa entrevista falamos com o Neno com seus 60 e poucos anos, um dos fundadores do Paulistano Clube de Balões, um cara descontraído tipicamente paulistano, adora balões, conheceu os grandes “pensadores” do balão, e viveu a década dourada do balão, muito emotivo, talvez por recordar um passado que talvez jamais se repita, um passado de ajuda a todos os baloeiros que os procuraram, de balões de porte e de muitas lagrimas de saudade. O Planeta Balão agradece também àqueles  que ajudaram nessa entrevista entre eles o Salsicha, fotografo que tem o acervo da Paulistano.
Confira abaixo um pouco mais da história de uma das grandes turmas de São Paulo.

Por que você gosta de balão?
Desde criança meu pai sempre soltava balões e meus irmãos também, isso era tradição de família quando era molequinho o meu irmão pegava chinesinho ele e a namorada e trazia 4 ou 5 chinesinho, ai eu ia na fabrica do meu pai ele tinha um galpão com telhado muito alto,ai eu fazia umas buchinhas e soltava o chinesinho ele batia lá no teto e ficava lá parado,quando acabava a buchinha  ele descia eu catava, então eu já estava tranqüilo pois eu já não era pagão, tem baloeiros antigo que sabe desta tradição, porque quem passasse o ano sem pegar balão morria pagão falavam-se muito naquela época, pois essa tradição aqui em são Paulo é antiga.

Como nasceu a idéia de montar uma turma de balão?
Eu fui forçado, é verdade me lembro que quando montei o Paulistano Clube de Balão foi o Terek que era da turma da Alvorada de muito anos, nós já nos conhecíamos á anos por causa de balões, porque sempre ficavamos pegando balão ali na pistinha que é atrás da De-Nigris lá na marginal Tietê, tinham uns terrenos daí já conheci o Terek, todo ano a gente se encontrava na época dos balões (junho e julho) ficavamos catando balões ele já era de uma turma grande, mais já me respeitava, eu pegava balão no meio deles se eu pegasse na boca primeiro eles não tomavam o balão nós somos muito amigos. E ele vinha me visitar foi quando começou a subir os balões grandes, ele  sempre ficava falando “pô você tem que fazer um balão grande” porque ele sabia que eu sempre fazia os meus 25 ou 30 balãozinho todos os anos, ai ele me encheu, eu disse, "então me ensina a fazer, como é que faz?", e ele me ensinou a fazer um 3x3 ele ficou ali me ajudando, ele quis que eu conhecesse o Dema que pra mim foi o pioneiro em balão painel, além do Paulinho da Amizade, me falaram também do Nenê de Santo Amaro então para mim fica entre esse três, porque painel que eu vi desfilar que nunca tinha visto foi da cara do índio que saiu lá do tiro ao pombo, ele foi desfilando por cima de toda a zona norte e foi cair na Curuçá, eu até fui atrás do balão. Depois veio do Mickey que ele soltou ai eu conheci o Dema, putz ele era veterano, o Dema foi uns dos fundadores do Paulistano Clube de Balão, eu, ele, Galego, que me encheu o saco, o Terek. Daí passei na casa do Dema, ele soltou os primeiros painéis, nunca tinha visto painel na minha vida o primeiro painel que vi foi dele vi no céu, não vi o cara soltar, depois que fui ver ele soltar lá no tiro ao pombo por isso que falo que esse cara era veterano, ele tem até fotos você um dia precisa achar esse cara ele é fera ele te da até a data e tudo, o Terek que sabe onde encontrar. Ai nós ficamos  lá conversando ele veio e nós montamos a turma, ele (Dema) que manjava bem mesmo ele que ensinava o pessoal da turma, mais tarde o Dema acabou saindo fora da turma ai eu toquei por ter muita vontade de fazer as coisas, acabei liderando desde do começo, eu corria atrás de tudo que ia fazer. A fundação foi em 1982 e o termino em 1994.

Como surgiu esse nome?
Era pra ser Galo porque é a historia do Dema, ele tomava muito rabo de galo, mais ele não aceitou daí um falou paulista outro falou paulistano ai um insistiu que tinha que ser clube de balão e nada de turma de balão foi então que ficou  Paulistano Clube de Balão e foi batizado pelo Dema.

Aprecia que tipo de balão?
Bom eu gosto de balão painel, bandeira, fogueteiros Ah!! eu gosto de todos.

Pelo fato do senhor ser um comerciante, isso ajudou na organização da turma e dos balões?
Não, porque balão todo mundo sabe fazer em São Paulo pode dizer que nós fomos à turma que mais teve papel importado que eu cheguei a compra lá no Rio uma grande quantidade ai vendi pra todo mundo alias vendi não, dei  muito também as turmas e pessoas todos premiados com resma de papel  eu fui muito incentivador de balões.

Nós dias de confecção dos balões eu me lembro que mais parecia festa do que trabalho, porque quando não era churrasco era pizza ,isso se deve à satisfação dos membros da turma ou era uma harmonia muito grande?
Harmonia grande mesmo.(muitos risos nesta hora)

O balão agregou algo a sua vida pessoal?
Agregou mais amizades que eu fiz e que tenho até hoje, o conhecimento, um exemplo de amizade o Marcio, o Marcos da turma do Vaga-lume, o Pedrão da Praça só to falando dos cabeça fora o pessoal que esta em volta, olha mais daquela época vou até resumir, mais todo mundo é muita gente pra lembrar, eu era muito conhecido e conhecia todo mundo a gente ia e participava de soltura de balões podia ser lá na conchinchina tava todo mundo lá, então a gente acabava fazendo amizade.

Quais os primeiros balões como Paulistano Clube de Balão?
O primeiro balão como turma paulistano foi um 3x3  da abelha depois já pulamos para um 6x6(risos) que naquela época já era grande pra caramba, soltamos com o painel do cavalo que era uma ferradura com o cavalo no meio.

Por ser uma turma de porte me fale um pouco sobre balões pequenos e grandes?
Comecei com um 3x3 e  depois fui para um 6x6, 8x8, 9x9, 11x11 (fogueteiros e painel) só balões grandes porque balão pequeno é mais cômico pra você soltar, sei lá eu gosto de balão grande sempre gostei de balão grande então não tem jeito todos os balões eram grandes e queria cada vez maior.

Como eram adquiridos os itens para confeccionar o balão?
O pau-flecha a gente arrumava o pessoal e ia buscar em Registro, o Ramí comprava no distribuidor, comprava de grandes quantidades e dividia com as turmas e papel importado, descobri umas fontes onde  buscava o papel hulk, nunca gostei de fazer balão com hulk, fiz um único balão fogueteiro gostava mais de decorar balão.

Qual era o nível de segurança daquela época e de hoje, você assimila muita diferença?
Não, porque não tem muita diferença melhorou muito foi pra melhor.

É inevitável falar disso. Comente os resgates?
Pô, na verdade eu sempre fui mais do resgate de balão do que fazer depois que eu comecei a fazer balão, o Paulistano fora aqueles 25 ou 30 balões que eu fazia todo ano era só resgate eu sempre gostei é só pandemônio que é até hoje mais dá medo. Eu já vi cara atirar do meu lado, eu me lembro quando subiu o painel da turma Arranha Céu aqui da praça do RTC da porta bandeira balão 8x8 não era maior que isto eu sei, fomos atrás dele caiu próximo da av. Anhaia melo (vila ema) eu me lembro um cara atirando estavam eu e um amigo francês na rua e o balão descendo ali, vi outro cara  com uma 765 na mão quando vimos novamente o cara que atirou ai nós brecamos e começamos a correr ao contrario se o cara deu o tiro obviamente alguém ao contrario vai revidar né ai pegamos o carro e se mandamos isto foi eu acho 86 ou 87 não me lembro ano.

Quem eram as pessoas de fora da turma que devam a maior força nos balão do Paulistano Clube de Balão?
Posso dizer que nós  incentivamos 70% da equipe que nós conheciamos, 100% de todas as equipes sempre nós ajudavam todas mesmo tinha muita amizade à gente não tinha frescura  (pode escrever isto ai) porque todo mundo queria é ver o balão subir.

A turma foi uma da mais completa em confecção de balões, você já conhecia o balão Bagdá?
Não, naquela época não tinha o bagdá fomos conhecer muito depois mais não éramos adeptos a este balão não era o nosso forte os truffados eu acho muito bonitos que vinheram a ficar na moda.

Qual foi à contribuição da turma no mundo do balão?
Foram muitas contribuições nós ajudamos bastantes equipes das mais importantes equipes do Rio de Janeiro, os cabeças todos estiveram na minha bancada sem exceção, porque minha bancada era ponto de referência em São Paulo em matéria de novidades do Rio sabe porque? Nós tínhamos o tradicional churrasco no sábado, todo mundo ia lá pra comer o churrasco, eles vinham para São Paulo “vamos lá no paulistano” passavam o dia inteiro na bancada com a gente não tinha horário. Ivo patrocínio, Jardel, Tião da Bruxa, Manoelzinho e  Gabriel do Cometa, Zeca da Amizade (uma figura folclórica),Wagner do Campo Grande, eles estiveram todos na minha bancada não foi uma vez só foi várias vezes. Manoel do cometa era meu irmão dormiu na minha casa uma, duas semanas até um mês, o balão 23x21 nós cortamos juntos na minha bancada fazíamos o calculo e tal o Manoel não saia daqui eu ia lá no Rio era muito conhecido como Neno do Paulistano na época era solteirão.

Acha coerente o gigantismo?
Eu gosto se acho certo ou errado, perigo tem os dois pequeno ou grande tanto faz dependendo onde cair à bucha quando queima.

Qual o festival mais importante para você ?
Daquela época que eu gostava e que arrebentava era da turma da Amizade do Rio aqui em São Paulo era da turma da Saudade faziam um festival bem bacana.

O que hoje em dia é muito diferente das solturas ? (em quaisquer aspectos da antiga para nova).
Não mudou nada eu acho, como não  freqüento não posso dizer como funciona, a soltura hoje o pouco que vejo nós DVD continua a mesma coisa o pessoal entra na boca ninguém respeita,  todo mundo é dono do balão (o famoso dentista) o cara nem sabe quantos gomos tem o balão mais esta lá na boca ta lá de camiseta pra sair na foto ou fitas naquela época.

A principal diferença entre ontem e hoje ?
Hoje o balão está muito avançado sofisticado e está bem mais estruturado, para se fazer balão eu vejo a boca por exemplo, pô nós andamos com uma boca de 5 metros de diâmetro que era do balão 23x21 na rua da madeireira até a bancada em cima de um caminhão com o balão colado não tínhamos essa técnica que tem hoje montada de engate, o próprio ramí foi extinto, agora ouvi dizer que tem um tal de fio dental, mais naquela época não tinha. Tá vendo mudou tudo isso eu acho bacana, é lógico que balão avançou muito, mais uma confecção de bandeira nós tomávamos um baile do caramba, quantas vezes fiz as bandeiras de joelho no chão desenhando, ampliava e quadriculava o chão e ia fazendo pedaço por pedaço pô era o meu recurso da época eu não sou desenhista, mais foram noites e noites para eu e o Robertinho, ficávamos até duas ou três horas da manhã, pois quando era de semana vinha o Jonas (turma do pega), vinham todos visitar a bancada e canas (pinga e risos) cana e conversa e falando mal de todo mundo isso era divertido demais.

O balão 23x21 decretou o fim da turma ?
Não, depois deste soltei muito mais balões soltei cada puta balão bandeira aqui na praça do RTC vários balões posteriores o Paulistano nunca terminou por causa dele(23x21). A turma terminou por falta de espaço eu tive que fechae a bancada, ai fomos pra uma bancada muito pequena o espaço era aberto era só um telhado já não funcionava mais direito não dava gosto, já trabalhava com muita poeira foi ai que parou tudo e a própria proibição na verdade nós começamos a ficar com medo e as autoridades davam muito em cima. 

Fale-me sobre a parceria Paulistano Clube de Balão e Cometa do Rio, comente como surgiu?
Quando eu fui na casa do Jardel aprendi a fazer as cabeças (quedas), lá eu conheci o Manoelzinho e foi amor a primeira vista uma amizade verdadeira. O Jardel me levou na bancada deles que na ocasião eles estavam fazendo o balão do dez trabalhos de Hércules, ai já abriu o leque me mostrou tudo como é que é não é e tal, e naquele dia ia subir o fogueteiro do Jardel. É minto não foi no dia que nós fomos para aprender a fazer as cabeças (quedas), foi no dia que fomos ver o fogueteiro do Jardel 17 folhas com 20 gaiolas dentro da pedreira de Inhaúma ai o Manoel já colou com nós e foi nos ensinando um monte de coisas, ai acompanhou a gente até a soltura do balão, fomos juntos, foi quando eu o convidei a vir para São Paulo, ele veio e se formou aquela amizade, fizemos até balão juntos trocamos figurinhas e deu nisso e também ele incentivou muito a Paulistano a fazer balões eu gostava e ele também ai ajeitou tudo né (risos).

Qual balão marcou a turma ate hoje ?
Para nós todos marcaram, gostamos de todos, cada um que soltávamos era uma festa uma brincadeira sadia, mais na verdade foi à passagem da turma, da nossa união, amizade que nós tínhamos o balão em si esse e aquela carrapeta,batata, painel todos.

O que realmente marcou os anos 80 ?
O que marcou mais marcou foram essas grandes equipes de balões o tipo de balão, porque eu solto desde moleque já soltava os meus 20 e 25 balões todo mês de junho porque o meu pai já fazia truffado que vocês fazem hoje, os meus irmãos quando eles voltavam da casa das namorada ficávamos fazendo balões caixa, mexerica, etc. O que revolucionou nos anos 80 foi o tamanho dos balões o painel é a coisa mais linda que trabalho bonito feito né, os pescadores faziam as redes adiantava bastante, cheguei a fazer um painel assim, ai perdemos tudo porque chegou a chuva, depois fizemos o painel tradicional porque para pedir outra rede se tornava muito difícil, mais já existia naquela época.

Resuma os anos 80 ?
Em termo de balão foram os anos dourados não teve melhor que esta, já em 90 não era mais a mesma coisa.

Cite um fato engraçado envolvendo o Paulistano Clube de Balão ?
Teve uma passagem que ficou marcada sim, foi um pânico que nós passamos e demos risadas pra caramba, foi à soltura do golfier de 20 metros que em volta do biscoito tinha muitas bombas Malvinas (cabeçudas) pra explodir eram ligadas num pavil, o balão não pegava força e o pavil aceso e nós ali dentro do biscoito (o biscoito tinha 4 metros de diâmetro),  já tinha gente dentro do biscoito rezando e nada do  balão subir eu só dava risada, foi uma passagem cômica e ficou gravado claro que eu não esqueço, mais graças a Deus o balão subiu e não aconteceu nada alem de uma assustadinha na turma.

Na soltura dos balões diurnos quase todos foram soltos com nevoeiro, por que  não eram cancelados já que o clima não era próprio para um melhor espetáculo nas suas solturas ?
Olha pra min essa resposta se torna difícil porque você está falando de todos, não foram todos, você pega as fitas e escutava "trava só pra tirar a fotografia da bandeira" eu me lembro perfeitamente do balão até quando esse não tinha uma nuven no céu, depois eu fiz o 9x9 do neguinho do pastoreio também na RTC que subiu junto com o balão do Luar de Vila Sonia o balão que ganhou a decoração de ouro diurno (1988), esses balões subiram sem neblina o golfier de 20 foi o maior golfier que São Paulo fez naquela época quem desenhou e fez o molde foi o Ivo Patrocínio. Neste  balão o céu estava azul  porque o pessoal da saudade nunca o esquece, vieram pela marginal tiete e ficaram abismados da marginal até a RTC viram que só ali tinha uma cortina de neblina e quem vinha pela marginal via o balão completamente e quem tava dentro da praça não via nada, a neblina só tava ali, agora o balão que pegou foi o pião de 35 metros, o 14x14 pegou também apenas esses dois balões. Agora você sai daqui com esse monte de material de balão lá pro pico do Jaraguá na voith, balão daquele tamanho você já ta tenso, pô não ta ventando você enche o balão não ver hora de subir, pô meu você não vai esperar a neblina sair né, porque pra sair a neblina tem que vim o vento e a neblina vem com uma aragem antes e depois, ai você pode soltar qualquer balão tranqüilo até hoje é assim, pô meu e eu vou esperar a neblina sair, o caramba manda o balão pra cima.

O seu sentimento em geral mudou alguma coisa dos anos 80 pra cá em relação a balão ?
Antes eu era mais fanático agora só vejo e quando vejo caindo, que nem domingo, eu estava indo ao mercado comprar pão eu fui sozinho minha mulher não tinha ido, a hora que eu sair do mercado me cair uma carrapeta com bandeira bem perto de onde eu estava era pequena pó aquele negocinho virando lá no alto pô da uma vontade de correr, mais isso é difícil se eu vejo caindo perto eu vou isso não tem jeito eu vou, mais fazer balão nunca mais ,ver soltura eu passo longe eu tenho medo hoje  tenho filhos e muita responsabilidade.

O que faz mais falta hoje em dia ?
É não ser permitido a soltura de balão você se imagina se fosse permitido o céu que lindo ficaria, eu soltava balão toda a semana aqui em cima do meu prédio eu comprava balões quando chegava a tarde o vento paradinho, eu chegava lá na laje com ajuda de um funcionário, punha uma buchinha nos balões pequenos só pra ver o bichinho lá cima sem vento pra ver o que ele fazia, você imagina o céu forrado de balões que bonito.

Porque que se deu o fim do Paulistano Clube de Balão ?
Um dos motivos foi à falta de espaço que nós mudamos o local que tínhamos a bancada, fiz uma reforma que era uma madeireira e também depósito ai mudamos para o autocentro e não tinha como ficar com a bancada ali ate estudamos uma maneira de levantar essa bancada e descer mais não deu certo ai mudamos para um espaço menor foi onde se perdeu o pique da paulistano, não podia mais fazer balões grandes.

Do que mais sente saudades ?
Da turma das festas as brincadeiras, pô meu quando vinha o pessoal do Rio de Janeiro a gente nem conseguia trabalhar direito ficava o dia inteiro bagunçando muita zueira e soltando as bombas mais a gente se divertia muito mesmo uma brincadeira sadia não tinha maldade não, era muito legal.

Hoje em dia o baloeiro é tido como marginal, trace um paralelo entre a marginalidade e o balão de hoje em dia ?
Dizer que ele é tido como marginal não é bem assim, é uma contravenção e a partir do momento que o cara executa quem entende o que é um balão, não diz que ele é um marginal, existe o cara que vai pra abusar vai pra puxar revolver na cara nos resgates hoje eu mesmo estava conversando com um rapaz que era baloeiro daquela época, dizia que deixou de correr atrás de balão porque duas vezes enfiaram revolver na boca dele e era de turma de balão por duas vezes foi um aviso a terceira eu posso morrer, então existe este tipo de elemento no meio mais não é bem assim como falam marginal, não é todo mundo não pode generalizar.

Quais foram os motivos na sua opinião que levaram a criação da lei de crimes ambientais 9.605/98 do artigo 42 ?
Eu me lembro que na época já existia uma lei do Jânio Quadros sei lá não dá pra saber já tem tanta coisa errada.

Caso fosse revertida à lei o Paulistano Clube de Balão voltaria a fazer balões ?
Não, eu particularmente não, talvez só pra brincar não no pique que era, mais voltaria porque tenho uns amigos que sempre me visitam, na ocasião tenho um espaço lá em cima pra fazer alguns balões pequenos mais não pararia não.

O que considera uma saída viável para os balões ?
Não tem como enquanto existir a lei não tem jeito como que é que vai mudar o curso da lei,  como é que vamos  provar pros caras (as autoridades) que não tem perigo, avião dá trombada no céu que é tão perfeito,  sabemos esconder muito mais os erros do que esses aviões no alto,porque quando cai um avião morrem centenas de pessoas.

O que o futuro reserva segundo  o seu ponto de vista ?
Extinguir, depois que eu vi domingo no fantástico, porque as autoridades estão dando em cima todos, sabem que esta época (junho) todo mundo solta balões por causa das festas juninas eles nunca vão liberar.

Resuma a história do paulistano clube de balão ?
Foi uns dos melhores momentos da minha vida (nesta hora emoção e lágrimas) muitas amizades, tudo de bom pra mim, a prova disso e que você tico pivetebruxa,  esta aqui na minha frente fazendo esta entrevista comigo agora, entendeu.

Como o senhor quer ser lembrado na comunidade do balão ?
Eu gostaria que cada turma que esteve na minha bancada reconhecesse que o paulistano nunca foi fresco, que o paulistano foi sempre  uma  equipe de portas abertas, mostrou tudo para todo mundo o que eu sabia tudo que adquiria no Rio eu passei pra as equipes, quantas equipes iam buscar moldes e balões isso você se lembra dessa época que ali era portas abertas eu passava todo dia à tarde na bancada por isso eu gostaria de ser lembrado que nunca fomos frescos pra ninguém (não vou citar nomes) porque São Paulo tinha muitas equipes famosas que tinham as portas fechadas e não davam moldes de balões pra ninguém, só de marra fui ao Rio de Janeiro e tirei cópias de moldes, e mandei pra todo mundo até saiu balão na frente deste pessoal que escondia moldes, eu não tenho vergonha teve coisa que eu trouxe do Rio de Janeiro que nego não tinha aqui em São Paulo, exemplo disto cabeça (as caídas) antigamente chamada de cabeça no Rio de Janeiro isso daí eu peguei com o Jardel, até o Jardel passou a ser da turma do Cometa, pois o Jardel era o cara que fazia essas cabeças lá, ele fazia a cabeça de negô que é um puta de um morteiro que ele enxertava as varas dele (as cabeçudas) mais ninguém fazia, não existia em São Paulo, era arroz com feijão isso também não tinha para vender no Rio, pois quem  faziam era o Jardel pra ele. Ai eu fiquei na casa dele dormir lá, levei uma pessoa comigo que  pra aprender junto como fazia essas cabeças, só quando voltamos para São Paulo essa pessoa saiu na minha frente, eu estava ainda preparando os fogos do 8x8, foi quando o cara correu na minha frente e soltou um balão fogueteiro só pra mostrar a novidade.

Maior emoção  do paulistano clube de balão?
(lagrimas e muita emoção neste momento) Foi quando subiu o pião de 35 metros naquela homenagem que fizemos ao  Jardel  da turma do Cometa, todo mundo chorou foi bonito demais à soltura do pião de 35 na hora que ele subiu foi a nossa maior emoção porque eu esquiei, tem uma fita que mostra este momento, eu esquiei na terra nos guias  eu fiquei travando ele e eu estava de chinelo de couro, pô meu o balão vai me levar e o balão me puxando (puta que legal). Foi uma homenagem que nós fizemos foi muita emoção, depois sai de lá viemos para bancada convidamos todas as equipes presentes naquele momento para o churrasco, balão subia todo mundo ia pro paulistano as equipes daqui da região todos diziam,” vamos pro paulistano ver o filme do balão”, ou fita, tinha o pessoal da filmagem que todos assistiam, tinha os comentários que sempre tem, porque quando você esta debaixo do balão não se ver nada.

Maior tristeza do Paulistano Clube de Balão ?
Nunca tive tristeza no paulistano só tive alegria (risos) não tinha tempo  e não tinha tristeza.

Agora em geral pra nós fecharmos uma mensagem onde você pode falar para os baloeiros antigos e novos ?
RECORDAR É VIVER (muita emoção neste momento e lágrimas).
Eu tico entrevistador disse que o Manuelzinho tem um balão grande pra soltar e perguntei a ele se gostaria de ver esta soltura. Ele apenas respondeu.
Acho muito difícil eu gostaria mais eu e minha esposa não acompanhamos mais, ela tem medo mais se eu estivesse solteiro hoje com certeza estaria pra cima e pra baixo, e não teria parado gosto muito de balão sou ligado, recebo muitas visita de amigos antigos de balão por exemplo o Pedrão da turma da Praça, nós ficamos conversando muito lembrando o passado eu não consigo esquecer esses momentos marcantes muito bonitos um negócio muito bom SÓ QUEM VIVEU, VIVEU.... ÔÔÔÔÔ TEMPO BOM.

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