om agora depois de escutar muitas coisas desde o inicio do ano, de ter a oportunidade de divulgar o fim dos naipes, refleti e tirei minhas conclusões, que não é a opinião ou manifestação do Planeta Balão.

Bom de inicio recordo-me que uns dos primeiros balões dos naipes que vi foi o 11x11 verde fogueteiro, mas o primeiro a realmente marcar minha memória foi o Pião do Drácula solto em 1998 com a bandeira que considero até hoje imbatível, mérito dos naipes e mérito de uma pessoa que muitos hoje nem se lembram bem o Grow que desenhou aquela bandeira que realmente destacou a grande turma e o grande desenhista que ambos são,  de lá pra cá foram muitas histórias em torno desta turma muitos entraram e saíram, e foi se desenrolando uma trajetória de superações em todos os sentidos, neste caminho pude conhecer pessoas como o Samurai, que tinha loja na penha um bairro aqui de São Paulo, e que cortou o modelado de 36 verde fogueteiro e o pião de 40 metros do batman o qual acho o molde perfeito, alem de muitas outras que cruzaram o caminho ou os balões do Naipes, mas ate então não conhecia o Bortoloto ou qualquer um dos integrantes dos naipes, o que chegava mais perto disso era um amigo que me ajudou nesse site por um bom tempo o Valdemar, que por conhecer o Bortoloto há anos atrás me levou na bancada dos naipes por que eu tinha uma revista pronta no micro sobre balões só faltava grana para ir pra frente, e faríamos uma entrevista com eles, lembro-me que na ocasião eles estavam fazendo a bandeira do Truff de 28 do Oscar, e nem pude ter alguma impressão da turma, pois o ritmo de trabalho era imenso, bom acabou que a revista não deu certo,  após esse contato nunca mais falei com ninguém dos naipes, talvez por essa mesma falta de contato eu tenha perdido a soltura do Pião de 45 metros Arte Oriental, então criei o Planeta Balão, para tirar um pouco da frustração de não ter lançado a revista, e meio sem querer fui conhecendo gente de todas as turmas grandes e pequenas e tive a oportunidade de conhecer o Bortoloto pessoalmente, desde então tenho uma melhor oportunidade de acompanhar o trabalho da turma, são muitas coisas que rolam por trás do balão, uma espécie de “por trás das cortinas” que muitos as vezes não sabem, mas quem acompanha tem uma melhor noção, isso em qualquer turma não só com eles, é problema com grana, sede, material, policia, e por ai vai.

Os naipes sempre soltaram um bom balão por ano, isso já era tradicional, no meio do balão, o Pião de 28 metros tema Jesus, talvez tenha abalado um pouco o alicerce emocional do Borto, isso é minha opinião, logo em seguida  começaram a ter atrasos, e quase sempre seguidos de conversas difusas, e não tivemos o balão dos naipes em 2006, talvez outra pedra de tropeço no caminho dos naipes, bom em meio a boatos e conversas alheias, eu particularmente nunca pensei que eles iriam parar, e fiquei até assustado quando na tarde do 26 de novembro de 2006, recebi uma ligação do Bozzo me chamando em sua casa, por que o Borto estava lá e queria comunicar no Planeta o fim dos naipes, mil perguntas vieram a minha cabeça, e lá fui eu, durante a entrevista ele até brincava dizendo que eu estava “isqueirando” ele para falar o que não devia, disse a ele que queria perguntar o que qualquer leitor do site perguntaria sem restrições, e não entraria nos méritos particulares, bom a conversa na integra foi para o ar. Após uns 10 minutos que havia colocado a entrevista no ar  me liga o Borto dizendo que o celular dele não parava, era gente de SP, RJ e PR ligando a cada instante, para saber se era verdade mesmo, ele disse que neste instante a ficha caiu e ele foi ao pranto quando se deu conta que realmente ali se encerrava um ciclo, ficou meditando e pensado que naquele momento não tinha volta, não que ele quisesse voltar, mas que realmente como mencionado em um dos e-mails recebidos o sonho tinha acabado.
Acho que a amizade pelo que foi exposto pelo Borto, foi um dos fatores, somados a isso vieram à perda do Pião de 28 metros, os problemas pessoais dele, e a apreensão do Modelado de 27 metros, mas acredito que ele tomou essa decisão por um fator preponderante que é o de não poder soltar o balão do ano dos naipes, e todos questionavam sobre o balão que não havia subido ate então, entendo o lado dele nisso porque tem a ver o brio da pessoa, aquilo já se torna meio que tradição no balão, e falhar nesse sentido talvez pese um pouco, tiro base por mim que tive por muito tempo o habito de sempre ter fotos do balão no mesmo dia em que sobem, depois deixei a peteca cair, passei a atualização do site ao Bozzo, que também tem seus compromissos, e não pode manter o ritmo, mas agora voltei por conseguir equacionar certos problemas que estavam me afetando, por querer fazer o Planeta voltar a ser o que era. Da mesma forma essa seqüência de fatos atrelada ao fato de não ter soltado o balão no ano de 2006, talvez tenha causado o colapso dos naipes.

Uma das coisas que mais mexe com qualquer homem é o seu orgulho, não o orgulho mau de rivalidade e pejorativo, mas sim aquele que te faz acordar todo dia e lutar pelas coisas a qual você acredita, de se olhar no espelho e dizer eu sou isso ou aquilo, quando esse orgulho é ferido e perde-se ele as coisas já não têm tanto valor ou sentido para quem o faz, e este mesmo orgulho é formado pela  junção de diversos fatores.

Penso eu que para tomar uma decisão como essa até o leite sem açúcar de manhã, o carro que não pega, o farol fechado um atrás do outro, a mosca a lhe azucrinar ajudam a piorar o dia,  é como uma reação em cadeia uma coisa impulsiona outra, quando isso acontece passamos a ser passageiros da nossa consciência que nos guia através de caminhos que tortuosos, inflaciona pensamentos que nem lembrávamos, isso sem freio, e sem a menor possibilidade de controle, como disse acima somos passageiros dela, não tem como evitar e ela  nos trás a tona inúmeros fatores antes relevados, mas que naquele instante tem um peso imenso, devido à inúmeras questões que a própria consciência levanta dentro de nós. Neste ponto não sei se são tomadas as melhores ou piores decisões, o que eu sei é que a decisão depois de tomada com base na consciência nos faz relaxar muito, e de uma forma excelente, como se um elefante fosse tirado de nossas costas, um alivio imediato da dor, uma folga para a cabeça que estava trabalhando fervendo e tem o radiador acionado para arrefecer tudo. Talvez por estar relaxado a conseqüência da decisão cause um choque, mas isso é passageiro, porque quando se tomou a decisão não se sabia como isso aferia tudo a sua volta, e lembre-se para toda ação a uma reação igual e de mesma intensidade.

Disso tudo eu tirei as minhas conclusões tendo em vista o que eu passei e o que eu converso constantemente com o Borto, eu acho que daqui a alguns anos quando tudo se acertar, as magoas, e problemas passarem poderemos ver balões dos naipes mais uma vez, não sei se vai demorar muito, isso por que tenho conversado até a data deste artigo pelo menos uma vez por semana com o Borto pessoalmente ou por fone, e vendo que ele jamais desistira dos naipes. Apenas quer dar uma satisfação a quem gosta da turma, ele não quer fazer balão “meia boca” com nome naipes, e quer poder pelo menos uma vez ao ano poder soltar um bom balão, e se não pode fazer isso nos próximos anos ou sabe Deus quanto tempo, por que manter a turma ativa sem projetos e sem perspectiva, nesse aspecto eu dou um ponto para ele que pelo menos teve a coragem de admitir que não dava mais, por algum tempo.

Ele não sabe do teor deste artigo e nem poderá corrigi-lo, tirar ou por qualquer coisa aqui, pois essas são as minhas conclusões que podem estar totalmente erradas ou muito certas isso quem dirá será o tempo, mas o que mas me fez pensar e escrever este artigo foi uma noite em que o Borto saiu daqui, após termos discutidos alguns fatos, e ele disse: “Ricardo eu SOU, FUI e SEMPRE SEREI Os Naipes”.
Por essa e por outras eu tenho comigo a seguinte convicção: Aguardem pois voltarão os dias em que poderemos aguardar o balão dos naipes.

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