em duvida em 90% das pessoas que soltam balões tiveram seu primeiro instrutor, poucos aqui foram autodidata eu particularmente agora com 30 anos de idade posso ate parecer meio saudosista e nostálgico, mas comecei a ter gosto por balões 1989  com 12 anos de idade, peguei o fim da era “clássica” e o inicio de um novo ciclo com novas turmas e idéias, acredito que não peguei a melhor parte, pois segundo os mais velhos ainda, a fase dos anos 80 foi inigualável, mas tive a felicidade de curtir os anos 90 desde o inicio, e não sofrer as repressões que foram aumentando ate chegar o ano de 1998 quando a lei federal foi imposta.
Era tradicional ver todos os domingos o céu com inúmeros balões, e me lembro rindo que mais tradicional ainda era ser acordado pelos fogueteiros, mas a predominância eram de bandeiras, eram tantos e de tão perto que subiam se podia ver sem a ajuda de binóculos os detalhes do balão e bandeira, podia-se ficar por horas olhando para alto e ver a cada instante um balão diferente, nesta época não podia ir em regates, só ia em solturas e acompanhado por alguns vizinhos que me apanhavam logo cedo, pois me viam na laje olhando para cima e me carregavam para ver mais solturas, balões noturnos só pude começar a ver a partir dos 14 anos quando já podia dormir fora de casa e ia aos festivais com amigos da 1º turma de porte que fiz parte se chamava destak, nessa época os festivais ocorriam até perto de casa em um terreno pequeno mas que ficava muito cheio de curiosos e baloeiros só para se ter uma idéia, nesta fase balão de porte era 4x4 e 5x5 eles enchiam os olhos de qualquer um com seus trabalhos vazados e desenhos rústicos mais originais, lembro-me ainda que havia muito orgulho e respeito que se dizia “sou baloeiro” a molecada inclusive eu admirava esses caras, eu tava na fase dos caixas e dos mexiricas que usavam 16 a 32 folhas no máximo, quando passávamos disso era uma adrenalina tremenda, parecia o maior balão do mundo, e era pelo menos para mim, muita gente na rua e quando o balão subia o orgulho invadia cada um que participou deste fato, nesta mesma espoca fui começando a ver descobrir os balões das grandes turmas Naipes, Emenda, Alvorada, Severa e Albatroz e por ai vai, mas antes de chegar a este ponto soltava caixas de 8 folhas que NUNCA subiam, fazíamos a bucha com estopa que pegávamos na quitanda totalmente aberta , raspávamos vela dobrávamos a estopa passávamos cera cardeal por fora e fogo na bucha!

 Que nada o balão só enchia e nem se manifestava para subir jogávamos ele pro alto e ele caia muito depressa, tinham pessoas que falavam, “ta puxando...puxando para baixo” e riam, eu também ria para falar a verdade, ai pegavamos o mesmo balão e faziamos outra bucha ainda maior agora com breu comprado no deposito, borracha de câmeras de bicicleta e muito mais cera e vela, e a única coisa que mudava era que tinha uma fumaça preta e fedida demais, mas nos achávamos que quanto mais fumaça melhor e aumentávamos a bucha até balão pegar fogo no bico, bom isso nos consumiu sem duvida mais de uns 40 balões sem sair do chão nenhum.

Num belo dia caiu um caixa de 8 folhas e um amigo da turma pegou só que rasgou um lado, dai arrumamos e ele ficou com 3 lados, uma coisa medonha e nós não estávamos muito a fim de soltar, nessa fase já tinha um vizinho com a idade do meu pai, e era  pai de um amigo da gente e veio com dois toquinhos de bucha e colocou elas cruzadas a gente caia no chão de tanto rir dele, e lembro que dizíamos: “Se com a bucha que a gente pois não saiu com isso ai sem chance”. Ele só olhava meio cismado pediu nossa ajuda para abrir o balão e todos nós morrendo de rir o ajudamos quando ele acendeu pediu para largássemos, ai à nos foi tradicionais e dissemos “coloca a boca no chão para abafar”, ele deu um grito e disse:
Deixa de ser burro! Se eu abafar o fogo apaga né!” não entendemos nada na época e já tínhamos certeza do fracasso, quando em menos e 1 minuto o balão sobe bem devagar... Foi uma gritaria geral... pulamos gritamos ...afinal era o primeiro balão que subia, para o pai do nosso amigo foi normal para nós era incrível! Como aquela buchinha mediocre deu mais resultados que nossa “alquimia” com cera, breu, borracha e vela.

Assim que o balão subiu corremos para a garagem da casa da minha mãe e fizemos um caixa novinho e fomos chamar o pai do cara de novo,  só que levamos nossa estopa e vela e vimos como ele fazia tudo e não deu outra,  balão pro alto de novo, corremos mais uma vez em casa e fizemos outro balão e fizemos a bucha em casa seguindo os passos vistos. Fora à bronca que levei da minha mãe por usar o fogão para derreter vela o resto foi só alegria.

Apesar de aprender a fazer balões com meu tio nunca haviam me ensinado a soltar, depois desse balão, quase nunca errávamos, ai esse mesmo cara que ensinou a bucha juntamente com a nossa turma compramos 80 folhas e fizemos um mexerica, que quando enchemos ele com ventilador foi incrível, colocamos um letreiro com as letras PDS (por do sol) que era o nome que adotamos naquela época, mas tudo deu errado, soltamos da rua com guias, mas que até então só tinha ouvido falar em guia e nem tínhamos a noção correta do seu uso, e nem citamos o balão, ele foi pra cima do fio e num ato desesperado o filho deste cara que nos ensinou puxou o balão que caiu a boca e queimou foi uma decepção total a rua tava cheia e todos ficaram tristes, foi o ultimo balão que o pai do nosso amigo soltou ate a data em que se mudou, após este fato nasceu meu sobrinho vi ai a grande oportunidade de reunir a galera para fazer outro projeto, compramos um 3x3 nosso primeiro balão comprado. Que orgulho sentimos voltando para casa como uns guerreiros, mas antes de fazer fomos pegar umas dicas para não cair a boca foi a que aprendemos a cintar e fechar o balão com rami seguimos todos os passos, e soltamos ele decorado com o nome do meu sobrinho escrito e 2 dúzias de cometas quem nos ajudou foi o próprio cara que vendeu o material para nós, ele vendia na sua casa a céu aberto e dava dicas a quem fosse, como era bom aquele tempo, bem ele montou a gaiola passou pavio, e coordenou a soltura de longe só falando faz isso e aquilo e acendeu o pavio é lá foi o balão demorou um pouco para os fogos acenderem,  mas quando acendeu, foi delírio geral da turma e da rua e foi também o primeiro balão que usamos maçarico, trazido por essa cara que vendeu o balão, depois desse balão a turma se desfez cada um seguiu seu rumo com um hobby diferente outros não queriam mais saber e eu fui parar na turma destak. Depois de algum tempo essa turma também se desmanchou.
Mais para frente eu ficava ajudando o molecada a soltar seus balões, fazia o papel dequele mesmo cara, pai de nosso amigo, que ajudava a gente, e a molecada se amarrava.
O tempo passou e veio a proibição a repressão ai me casei tive um filha, e antes de ter a filha já havia parado de fazer balões e me dediquei ao site planeta balão. Confessoate com uma certa ponta de magoa que sinto muita, mas muita falta mesmo destes tempos, onde tinha meus amigos na garagem de casa todos fins de semana, onde a policia jamais recriminava inclusive parava e via a soltura, e onde meus balões de 32 folhas me davam satisfação como nenhum outro, sinto mais ainda saudades das coisas que não vi como os anos 80, que provavelmente foram os anos de ouro do balão. Agradeço muito ao pai deste amigo que me ensinou esta arte a qual desde 2003 deixei de lado para criar este site e parar com o balão até que ele volte a se regularizar. Tomará que nunca cheguem os dias em que eu diga não vejo neles mais graça.

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COMENTÁRIOS

Turma: Em Pensamento
Integrante: Ricardo Zerlahny
TempodeExistencia: 45 anos
Cidade: Belo Horizonte
Estado: MG
Recado: É ricardo, você tem razão quando diz ter perdido a melhor época. Hoje com 45 anos, afirmo a você que o final da década de 70 até 1985, foi algo maravilhoso. Por vários aspéctos. Primeiro não existia esta violência absurda. Eu saía na sexta feira sem rumo e só retornava quando não me aguentava mais em pé para dormir, se dormisse em casa. No sabado a tarde começava o ciclo. É isso mesmo, sábado a tarde era uma loucura a quantidade de balões no céu. Entrava pela noite a dentro e só dava uma parada domingo perto da hora do almoço. A noite de domingo era mais modesta, mas rolava. E os locais, tradicionalmente, eram o suburbio do Rio de Janeiro. Do Cachambi à Campo Grande uns 50 km de distância em linha reta, se rodava tudo que é canto. Harmonia, Amizade, Cachambi, Colosso, Realengo, Saci, Arte Real, enfim, eram tantas turmas que nem me lembro mais. E quando não dava para acompanhar as solturas, eu ficava na minha casa no Grajaú, e me divertia observando os balões anônimos. Fora os da vizinhança e os meus. Soltava pelos menos uns 30 por ano. Pequenos, mas enormes na emoção. O que mais sinto falta, é do convívio entre as pessoas, vizinhos e apaixonados por balão como nós. Que época mágica. Tempo em que reunir as pessoas era o maior objetivo, e no centro desta confraternizaçào, o balão.