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A TERRA TEM FOGO EM SEU NÚCLEO E FLUTUA NO CÉU: É BALÃO!...E A LUA É O BALÃO DA TERRA...
Sua
Majestade o Pião de Carrapeta.
Roda Pião da minha infância...
Quem rodou rodou!
Daí, passar para o papel foi um
sonho,
mas a magia não demorou a chegar.
Pião, das suas mãos
saiu a perfeição.
Pião: seu nome é Ivo Patrocinio!
Como por encanto, sem amarras, das mãos do menino ganhou o céu
rodando.
Vê-lo no ar é recordar a infância...
Esse é lanternado,
olha quanta “luzinha”!
Espanto do menino, a bola de luz.
É pintura: arte no quadro negro do
céu!?!
É o Mickey, é a Vênus, é nome
de mulher...
A cruz que o menino
via no céu,
de quem seria? Não era de ninguém...
Amiguinho, que também está no céu,
todos os anos, na noite de São Pedro,
soltava um balão com a sua chave de luz.
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Foi
a chave de tudo!
O céu da cidade estava escurecendo,
o jeito foi ilumina-lo.
Cores e luzes tomaram formas mil.
Clareou.
Os
meninos gritavam, o velho engasgou e o moço correu rua abaixo...a
Estrela, o Balão-homem... homem não voa!
Olha o Cavalo, a Moringa...
Quanta arte nessas mãos anônimas!
Em
Sampa é Mexerica,
no Rio é Batata,
no Paraná é Bergamota;
sei que, fruta ou legume, são lindos,
Pura imaginação, arte do povo!
A
lua cheia é um balão da Terra!
A menina não se conformava: vai ter imaginação lá na China!
Pois fique sabendo, respondeu o menino:
os balões nasceram na China.
E da
janela, contemplando o céu avermelhado do por-do-sol, muitos
balões de vários formatos subiam.
Até taqueados do Jorge Turco!
Ivo Perereca lá céu olhando o Barrica...
O
vermelho foi se transformando em negro.
Estava anoitecendo.
Os balões passavam brilhando,
As estrelas, não, só brilhavam.
A menina lembrou de uma antiga canção.
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Cantou:
“Os balões devem ser com certeza
as estrelas daqui deste mundo”
O
menino seguiu, também cantado:
“Que as estrelas do espaço
profundo são os balões lá do céu...”
Desejo
aos amigos do Paixão Inexplicável,
um
Feliz Ano Novo com muita Saúde
Odair
Lua
Lembre-se: balões menores = mais balões.
Nota:
a música que os meninos cantaram, chama-se
NOITES DE JUNHO
(1939)
Autores: Alberto Ribeiro / João de Barro (Braguinha)
Gravação original: Dalva de Oliveira
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