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a coluna do Paulinho da Paixão, onde o amigo Tura, da famosa Turma do
Meier - Rio, foi muito bem lembrado e homenageado pelo seu talento e pelo
seu sucesso na França; mas justiça seja feita, está registrado no meu
livro: o primeiro desbravador dos balões brasileiros, em terras do Velho
Mundo (e quiçá do Mundo), foi o Dirceu da Turma da Saudade, isso nos
idos de 1987, quando fixou residência em Roma, Itália. O sonho era
ganhar um pouco mais de dinheiro no Primeiro Mundo. E lá trabalhou em
posto de gasolina, manutenção de barcos, cozinheiro, etc, etc....mas foi
com o balão que ganhou mais, como veremos mais adiante.
Nas horas vagas tentava descobrir algo sobre os balões da Península. Em
1988, folheando o jornal Il Messagero, e lá estava: “Festa de Percile,
cidade da Grande Roma, em 03 e 04 de setembro, inicia-se sábado a tarde
com música na praça e soltura do primeiro balão de papel. Continua no
Domingo com o segundo balão, findando na segunda com os jogos
populares”.
No Domingo presenciou a soltura de um balão de 16 metros, 6 de diâmetro,
pintado, que levou 18 lanternas. A bucha era feita de panos embebidos em
gasolina! Para os “resgatadores”, um prêmio de 100.000 liras ---
imagine um prêmio desses por aqui!!!...Bem, Dirceu conseguiu fazer
contato com o dono do balão, Alberto Conti, onde ficou sabendo que a família
Conti mantém a tradição de soltar balões há mais de 250 anos!
Saltando mais adiante, ainda em Roma, 1992, dessa vez através de um anúncio
de revista, conheceu uma pessoa que tornou-se uma grande amiga, Francesca
(que já havia morado no Brasil), dona da loja “Aquilandia”,
especializada em kits de pipas,
e esta tinha uma amiga repórter da rede de TV estatal, a RAI, que soube
dos balões brasileiros, e aí convidou o Dirceu para participar de um
programa chamado Uno Mattina, com o tema “Balões do Brasil”, que
consistia entre outras coisas, o lançamento de um 3 folhas. Infelizmente
o tempo não ajudou. E mesmo assim, Dirceu ganhou um cachê de 800 dólares
---- não disse acima que ele iria ganhar mais dinheiro fazendo balões!
Nesse
mesmo ano, Francesca realiza em Roma o I Festival Internacional de Pipas,
evento esse com convidados de todos os cantos da Europa, Ásia e até da
América do Sul. Dirceu é convidado para participar. Aproveitando que o
evento seria realizado num Clube de Campo, levou consigo vários balões
juninos e um 4 folhas para soltar a noite com lanternas. Não é necessário
contar o sucesso com os juninos ---- as pipas ficaram em segundo plano
---- à noite, com o 4 folhas com 150 lanternas no sistema de linhas
subiu, foi loucura, sucesso total, com o Dirceu explicando até as 4 horas
da manhã, como aquilo tudo era possível ser feito e voar!
Esse foi o passaporte definitivo para que Dirceu viajasse por toda a
Europa, ensinando e soltando
os nossos balões --- até na Grécia soltou! Isso tudo acompanhando o
Circuito Internacional de Pipas, que acabou se transformando no Circuito
Internacional dos balões do Dirceu!
O sucesso foi tanto, que Francesca o contratou para dar aulas (teóricas e
práticas) de balões do Brasil, em sua loja de Pipas, com anúncio em
revista e tudo. Nessa sequência, Dirceu realizou, internacionalmente, a I
Exposição de Fotos de Balões do Brasil, que se tem notícia no
planeta!!!!, com grande repercussão na Europa. Registre-se, com o apoio
total do Consulado Brasileiro em Roma.
Resumindo e finalizando: Dirceu soltou balões em diversas festas e
eventos na Europa, deu aula de balões em escolas públicas e privadas,
etc, etc..., soltou Pião de carrapeta na Holanda.....
Em 1994 lança um balão 5 folhas com 400 lanternas e alguns sinaleiros
coloridos, com a ajuda de amigos italianos, americanos, ingleses...., que
a população da cidade de Ostia pensou tratar-se de um Disco Voador.
Alvoroço total, saiu na TV, revistas e jornais de porte como o Corriere
Della Sera, afirmando que realmente era um objeto não identificado!!??!!
Posteriormente, Francesca esclarece ao jornal Il Messagero, que não se
tratava de um UFO, e sim um balão do brasileiro Dirceu.
Em 1994, Dirceu retorna ao Brasil para ficar, mas o seu “serviço”
não acaba, é convidado várias vezes, com todas as despesas pagas, para
soltar balões, principalmente na Itália, onde acaba conhecendo Enrico
Maddalena, escritor e autor do livro “Il Libro Delle Mongolfiere” (balão
na Itália é chamado de Mongolfiere --- referência é claro, aos irmãos
franceses Montgolfier), que também acabou dando aula de balões do Brasil
nas escolas. Criou e deixou também a primeira Turma de balão da Itália
(quem sabe, a primeira do mundo fora do Brasil), com o amigo Francesco
Millione, na cidade de Viterbo; e outra com Marco da cidade eterna de
Roma. Ficou também o amigo Ietto Giuseppe, que também pegou a febre dos
balões do Brasil, e que naquela época ganhava a vida com balões (não
sei se continua) para festas de casamento, batizado, noivado, etc.
Salve Dirceu!
OdairLua.
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