Importância dos Balões de Armação para a Preservação do Próprio Balão.
Continuando a nossa história, faltou um registro importante, que é do Nenê de Santo Amaro, da Turma da Paz - SP, extinta infelizmente, que na verdade foi à pessoa responsável em trazer esse tipo de balão do Rio para cá, isso em 1977 para 1978. E foi inusitado! Estava Nenê num Motel, não sei precisar exatamente o local, logicamente acompanhado de uma garota; não sei se antes ou depois...talvez durante o cigarrinho..., sei que, ao olhar pela janela deparou com um lindo balão de armação, que jamais tinha visto coisa igual. Euforia total!
Voltando para São Paulo não falou em outra coisa para os amigos do Ipiranga, e aí deu no que deu, que vocês já leram na primeira coluna.
O balão nos anos 60 ainda era pequeno e abundante, salvo algumas exceções, como os Irmãos D’Aquinos lá de Santana. As festas juninas continuavam nas ruas e nos quintais das casas da grande São Paulo; já em fins deste mesmo ano, a tradição começou a desmoronar pelas diversas campanhas contra, principalmente nas escolas. Em 1970, devido a Copa do Mundo, com a Seleção se sagrando tricampeã do mundo, ainda deu muito balão nos céus do Brasil. Mas a partir desse ano, e até quase o fim dessa década, esse costume secular quase sucumbiu ao dito progresso... 
Eu pergunto à vocês leitores: o que fez o balão voltar com força total nos anos 80 e 90 no Brasil? Parece fácil, é fácil para os veteranos, mas para vocês meninos da Internet, dessa nova fase do balão, não é tão fácil assim responder essa questão. Respondo: FORAM OS BALÕES DE ARMAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. 
Esse foi o balão que revolucionou geral, o folclórico, o místico, o festivo balão junino. Tirando-o do exclusivo mês de junho, passando a ser solto em outras épocas do ano (hoje tenho certeza que não foi uma boa idéia), as técnicas de soltura ficaram mais apuradas e seguras. Transformou-se em arte, mas aí meus amigos, ganhamos muito nessa parte, mas perdemos feio no romantismo...(esse assunto fica para uma outra vez).
Foi no Rio que isso tudo começou: o mágico Balão de Armação! Quem inventou, quem criou?...há várias teorias, versões, histórias e estórias, relatos dos baloeiros mais antigos da cidade maravilhosa, assim como as não menos maravilhosas Niterói e São Gonçalo.
Moacir Quaresma, falecido há muitos anos, do Rio de Janeiro, personagem lendária, é tido como um dos primeiros a ter essa idéia, mas pouco se sabe como e até mesmo informações da sua pessoa. O primeiro troféu “Boca de Ouro” - (feito de ouro mesmo pelo Melão da Mangueira) – RJ, ganho pela Turma do Meier em 1977 com a Armação (já “tipo” ponto-de-cruz) “Pagode Chinês”, levou o seu nome merecidamente. Mas como sempre, lendas são lendas. Temos também o saudoso Amiguinho, que tive o prazer de conhecer, que sempre soltou um balão em junho, levando uma chave (a chave de São Pedro). Há também um relato de Cizinho, hoje com 70 anos, da Turma Ouro Preto, fundada em 1958, que muitos afirmam ser a mais antiga do Rio, em plena atividade até hoje, que nos conta que a sua Turma soltou um 5 folhas armação de São João, em 24/06/1958, quando ainda não havia conceitos de boca/aranha, a armação era apoiada nas mãos das pessoas presentes, daí as armações da época serem de pequenas dimensões, e a lanternagem dos balões serem feitas através de andaimes (há foto registrando essa técnica da época). Com tal procedimento, conta-se pitorescamente, que muitos baloeiros despencavam por sobre os balões, para desespero da turma.

Outra evolução para com os balões de armação, foi idéia de Tião, que entrou na Ouro em 1968, que foi a de serrar madeira na espessura aos usados nos palitos de picolés, quadricular e pendurar ganchos de arame para as lanternas. Até 1977, todas as armações da turma foram feitas com essa técnica. Outra importante contribuição, foi a de Sylvio, cunhado de Cizinho, que aperfeiçoou o sistema de lanternagem dos balões, através de envelopes e ganchos de arame, antes chamados de “gaxetas”, isso em 1964. Nessa briga também entra a T do Meier do inesquecível Sr. Júlio, a Cachambi do simpático Betinho, e tantas outras.

Isso tudo que relatei acima, foi para que vocês percebessem, que acima de tudo, todos os tipos de balões que já existiam, outros criados durante esse “boom”, mais a revolução dos moldes (outra história que contarei mais adiante), a volta de todos os tipos de balões em maiores quantidades, até então em processo de extinção, deveu-se unicamente a maravilhosa criação dos chamados Balões de Armação.

Foi o renascer das cinzas!
Do outro lado, lá em Niterói e São Gonçalo (a Ponte Rio-Niterói, ainda não existia nessa época), outras turmas, outros artistas também entraram de cabeça nessa nova fase alavancada pelos balões de armação. 
É bom que se diga, o que vou relatar agora, não é somente a minha opinião.
Naquele tempo, a parte dos cariocas, que também já ornamentavam muito bem seus balões, o ênfase maior era para o que o balão estaria levando. 
Já no lado Fluminense, toda a atenção era voltada para a parte artística e decorativa do balão em si, o visual, o tema, os detalhes de acabamento...
É fácil provar: basta ver os balões do mestre João Ely, graças aos céus, em perfeita saúde em seus 70 e tantos anos, que já frisava de preto seus personagens e decorações, e até tingia papel em cores que ainda não existiam no mercado naquela época. O mesmo podemos falar do grande artista Ecidemar Botelho, também criador dos balões conjugados, idéia fenomenal que surgiu quando este trabalhava na Rede Ferroviária Federal, e ao caminhar pelos trilhos dos trens, teve a idéia genial de perfilar seus balões da mesma forma dos vagões. 
Ecidemar faleceu em 05/04/1990, aos 64 anos de idade. 
Concluindo: o balão é milenar, é global, a extinção é impossível. Alteraram-se os materiais, as técnicas atuais transformaram o artefato seguro. Hoje os balões só caem acesos se o artesão for primário. Temos inclusive a manta refratária (usada em fornos industriais), fabricada a base de amianto, que é auto-extinguível (apaga-se no ar) e reciclável. Essa idéia foi desenvolvida e testada em 1997, com margem de erro zero, pelo amigo Jaime da Turma do Pega – PR, que é pouco usada por absoluta falta de informação. 
Talvez num tempo futuro, o balão seja discutido na sociedade como um todo, não liberado, isso é impossível, e sim, quem sabe, regulamentado e normatizado.
O Ziraldo costuma dizer que é só passar para os japoneses/chineses, sei lá, que eles desenvolveriam, com certeza, uma “bucha eletrônica” que produzisse calor por exemplo, excluindo o fator fogo. 
Definitivamente, o que eu quis dizer com isso tudo, foi que o balão poderia ter sido quase que esquecido, se não fosse a criatividade desses geniais artesões.

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