istórias Odair Turma da Lua.
Quando o Luizinho da Zeppelin (Tatuapé) me ligou dizendo que os idealizadores do site Planeta Balão estavam me convidando para participar com uma coluna no site, de cara aceitei.  Porque: em primeiro lugar porque gosto muito de balão, gosto muito de escrever também, e, acima de tudo para preservar a história do balão de papel, que além de costume, folclore, é arte popular presente no Brasil inteiro e em muitos países do planeta Terra, que também é um balão que flutua no Universo....

Portanto, é preciso preservar e divulgar todas essas informações para que as novas gerações saibam o porque do “soltar balão”, o que significa, a essência, a razão... e por aí afora.

Posto isso tudo, creio que é necessário apresentar-me, pois sei que a maioria da nova geração não sabe quem sou... Então humildemente vamos lá.

Meu nome é Odair, tenho 53 anos, nasci e criei-me na Vila Moinho Velho no bairro do Ipiranga. Meu pai chamava-se Antonio (nasceu na véspera do Santo), tinha o tio João e o Pedro --- o trio junino. Além do meu avô Joaquim, o tio Luis, a tia Rosa, o tio Mauro e o tio José também gostavam de balão, e o melhor, todos moravam próximos. Era Festa Junina o mês inteiro na casa do meu avô, com fogueira, bandeirinha, quentão e com balões é claro.

E é isso que as novas gerações precisam fazer no mês de junho: BALÕES JUNINOS! Os grandes (que ao meu ver não devem ser tão grandes assim --- historicamente eram balões bem menores que hoje em dia, eram na grande maioria 9x8 --- os mais lindos e famosos balões de armação do RJ e SP, eram desse tamanho. Para que mais? Vaidade ou Masoquismo?!?! ) devem ser soltos antes ou depois deste santo mês. Balão junino é Junho!!!

Voltando a minha pessoa, sou um dos fundadores da T da Lua, que nasceu em 30/08/1980, noite essa do primeiro Festival de Balões realizado em São Paulo, do qual participamos, e que também valeu como a primeira “Boca de Ouro”, que foi para a Turma Dez de Ouros, que a ganhou com um balão 4 folhas com a armação “Carta 10 de Ouros”. Foi nesse dia também que conheci, pela primeira vez pessoalmente, um grande baloeiro do Rio, que foi o saudoso Zeca da Amizade; aliás, foi ele que praticamente organizou esse Festival, que foi idealizado pela Turma da Amizade-SP, do prezado Paulinho (um dos dinossauros de Sampa), hoje ao que parece, morando na Praia Grande.

A Turma da Amizade-SP, nasceu em 1978, porém há controvérsias, o querido Mestre Custê afirma que a sua Turma da União foi a primeira....Enfim, na verdade eram vários amigos que racharam por diversos motivos e acabaram fundando outras, cada qual com seus amigos mais próximos, quase que ao mesmo tempo.... Nas minhas pesquisas que originou o Livro, a Amizade foi a primeira, e o seu primeiro balão subiu na Praça Pinheiro da Cunha, Ipiranga, que era um 3 folhas armação de um Coração, homenagem ao casal Custê e Carmem, pela passagem de aniversário de casamento. Isso prova a minha teoria....

Logicamente há outros indícios, como por exemplo, do amigo Dema lá da Vila Brasilândia....e por aí afora... lendas são lendas....

Sobre a Turma da Lua, ganhamos uma Boca de Ouro, em 1981, com um balão 4 folhas, armação “Chuga-Luga” na Lua, que não foi o melhor do ano, foi o que subiu melhor, digo, o melhor queimou, que foi o 6 folhas da Dez de Ouros, armação da “Pantera Cor-de-rosa”. Balão para ganhar precisa subir bonito...

 

 

 

Fiz juntamente com meus companheiros, 15 Festivais de Balões, que para mim eram fundamentais como escola e festa familiar. A grande maioria foi realizada em clubes fechados, com total segurança e comodidade. Fogos eram proibidos, e os balões tinham limite de tamanho. Hoje.......... Qual pai vai levar sua família para correr de bomba??!!?? Com isso os interessados em aprender o certo perdem a melhor escola, que é a de ver o show, os artistas. E com isso a tradição vai se acabando.

Com mania de colecionar coisas, principalmente coisas relacionadas a leitura, literatura, imagens...., comecei em 1976 a colecionar tudo que se referisse a balão: recortes de jornal, revistas, fotos, livros, históricos, vídeos.....Isso tudo acabou resultando no livro “Balão Paixão Inexplicável”, que eu e o meu companheiro Ivo, tivemos o prazer de fazer, contando com o privilégio de ter capa assinada pelo grande Ziraldo e prefácio de Carlos Heitor Cony. Infelizmente está esgotado. Estou tentando reeditá-lo. Algumas pessoas estão conseguindo em sebos.

Hoje tenho feito algumas exposições de balões: fiz em 2002 no Sesc Sto André, juntamente com alguns companheiros, e, participei em junho de 2005, da exposição de Osasco, realizado pelo Felipe da Coliseu, na Biblioteca e Escola de Arte da Prefeitura Municipal de Osasco.

Tenho outros projetos de Exposições, e no momento estou trabalhando em outro livro sobre balões, que é a sua influência na cultura popular do Brasil, nas artes, na literatura, nos ofícios, na propaganda......e vai...

Feita a apresentação e outras preliminares, fico por aqui nessa primeira coluna, prometendo muita história e curiosidades dessa nossa “Paixão Inexplicável”.

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