mundo mudou, e o mundo baloeiro mudou junto. Ainda lembro do tempo quando se mandava convite via correio para a soltura de balão (geralmente balão com armação, com desenho da tela, quantidade de lanternas, bojo, local, dia da soltura, etc e tal). Hoje se usa e-mail (eu não, pois não sei mexer em computador, nem e-mail eu tenho). A comunidade baloeira era bem menor, quase todo mundo se conhecia. Era fácil saber quem geralmente pisava na bola, e em função disso era fácil se precaver deles. Hoje, a prática do baloeirismo tem uma estrutura comercial complexa, com especialistas em leques, em taqueados, em moldes, em bombas, em redes, em desenhos de ponto cruz, em gaiolas, em tudo. Quando se atinge esse ponto, a decência, a amizade já não ocupa um papel tão importante. O meio já não depende desses pilares. As pessoas tornam-se descartáveis, substituíveis com uma facilidade incrível. Quem se importa se o fulano “X” parou de fazer o que fazia, se o cicrano “Y” também faz. O problema é que o fulano “X” era um cara íntegro, fazia por gosto, e o “Y”  está aí agora, não tem raiz. Um bom exemplo disso é meu parceiro Tilim, fotógrafo de primeira, cujas fotos viraram inúmeras capas de fitas, de DVD’s, figurinhas, pôsters em diversas sedes. Porém, ficou de saco cheio das cobras e lagartos e parou de disponibilizar seu talento para eles. Está apenas colando papel, e empinando pipa.   

Eu mesmo vira e mexe me canso. Já me decepcionei com muita gente que a princípio parecia ser decente, se portava de humilde, mas depois acabou mostrando um outro lado bem diferente.  Alguns realmente têm muito talento, mas acabam por aí. Só pra dar um exemplo mais pessoal, é o que tem acontecido com relação a algumas fotos que tirei. Nunca pedi nada em troca, e prefiro parar a mudar minha maneira de ser.  Empresto meus negativos para qualquer um, sem distinção. Não faço questão de rapidez, nem fico em cima cobrando a devolução. Praticamente conheço a realidade de cada um, portanto aplico um critério diferente em cada caso. Porém, tem gente passando do razoável, recebe de mão beijada, e “esquece”.Devolver? Pra que?  Vou aguardar mais um pouco, porém em breve vou mandar para essa coluna uma lista com 60 nomes de “esquecidos”.  Dos amigos, não tem o que falar, por isso são amigos, adquiriram esse direito. Os outros, primeiro tornem-se amigos, para depois usufruírem da amizade. E isso é apenas um exemplo, se começar a elencar a lista o negócio vai longe e cheira mal.     

Às vezes penso em fazer companhia ao Tilim, porém aos 45 minutos do 2º tempo aparece alguém como o Paulinho (GNB-Paixão) me faz mudar de idéia, pelo menos por algum tempo.

Agradeço de coração ter lembrado de mim na sua coluna. Dedico-me 100% às solturas, me sobrando pouco tempo para cultivar as amizades e minha vida social (tenho família, tenho outros hobbies, trabalho, etc). Mas pode ter certeza, a quantidade de convívio não altera a amizade. Aos bons baloeiros, continuem assim. Às cobras e lagartos, por favor, procurem outra coisa para se divertir, tem muita coisa legal por aí, deixar o balão de lado não vai fazer falta pra vocês. 

Quer comentar este artigo clique aqui.

Clique aqui para ver a lista de convites antigos no Baú do balão