
alão riscado,
geométrico, com bandeira, painel, fogueteiro. Soltar qualquer tipo de
balão é uma arte. Dos mais simples aos mais elaborados, disso ninguém
discorda.
Mas, existe uma arte muito
pouco lembrada. A Arte do Resgate. Envolve tantas coisas e detalhes como
as solturas, talvez até mais.
Quando o balão está mal
dimensionado, e sobe aqui e cai ali, até que não é difícil chegar.
Porém, quando ele viaja (e se as cargas embaixo deles diminuírem,
eles viajarão cada vez mais), a história é bem diferente.
Envolve desde conhecimentos
climáticos (seja acadêmico ou pura observação de anos de prática),
até distribuição da malha rodoviária.
Existem dois tipos de
resgate, primeiro o realizado por 99 % dos baloeiros; depois que o balão
subiu, é ir seguindo o mesmo até ele cair. Esse é o modo dos primitivos, às vezes até funciona.
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O
segundo é a verdadeira Arte do Resgate.
Existem muitos fatores que levam a inúmeras situações.
Depende a época do ano (em certas épocas alguns “ventos” são
mais freqüentes), se existe algum tipo de “frente” se aproximando (à
que distância, por onde), que altura o balão vai se manter mais tempo
(daí o vento que ele mais vai ficar), e depois que ele baixar, qual
vento vai fazer a última correção de rota, etc. Depende
também do balão, do tamanho, tipo de bucha (aberta, enforcada, mais
parafina, mais sêbo, grande, pequena, etc), respiro, carga.
Local da soltura, hora da soltura, enfim, muita coisa. É, a parada é bem mais complicada do que parece.
Quem apenas solta balões,
geralmente (não todos, claro) não valoriza o resgate. O
que não é de se estranhar, pois aqueles resgates
mais conhecidos são verdadeiras aulas de destruição e completa falta
de educação. Mas aqueles
resgates de horas de paciência, quando o balão não segue uma rodovia,
mas vai cortando os caminhos mais conhecidos, onde só quem realmente
domina as “estradinhas”, aqueles atalhos mágicos, isso sim é pura
arte.
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Quando o balão tá bem
alto, encima da Dutra, é fácil achar que está seguindo ele. E quando
ele abaixa ? E pega um vento contrário ? Aí, todo mundo começa a
procurar aqueles carros mais conhecidos para ficar na cola (nada de
errado nisso, aliás, é uma maneira de aprender). Poucos se aventuram
sozinhos, e acabam voltando
de mão abanando.
Se houvesse uma “Bôca
de Ouro” de resgate, acredito que iria ter menos desacordos quanto aos
ganhadores. Não vou citar nomes, para não magoar ninguém, mas
gostaria de contar uma historinha; “Correr atrás de balão não é
nenhum SEGREDO, pois sobe balão
de todo lado, pois tem turmas na zona sul, na zona oeste, na leste, no
centro, e até tem TURMA na ZONA
NORTE. Desse modo, abre-se um leque INFINITO de possibilidades, sendo que UnS Mais que outros possuem um
certo DOMÍNIO em
determinada região. Uns
saem feitos doidos, num VAMO Que VAMO frenético. As vezes
dão sorte, mas na maioria delas acabam ficando à TÔA-TÔA, sem falar que
nem bem estão de volta, e já aparece outro balão para ir atrás, e aí
já viu né, EMENDA
uma coisa na outra. Alguns
não se aventuram muito longe, ficando apenas nas cercanias de seu
bairro, na sua VILA.
UNIÃO
é imprescindível nessa hora, pois sozinho é uma tarefa quase impossível.
Na verdade, a vontade de resgatar balões sintetiza muito da nossa infância,
onde ainda tínhamos muitas esperanças no futuro e poucas obrigações,
um verdadeiro mundo de SONHO E LIBERDADE. Fica
quase poético escrever sobre os resgates, o que me faz lembrar do
grande poeta grego da Odisséia e da Ilíada, HOMERO, com seus épicos cheios de aventuras, heróis,
seres mitológicos, onde tudo poderia acontecer, não sendo impossível
encontrar FALCÕES
vindos DO CÉU para resgatar nosso herói.”
Os
primitivos que o digam.
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