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(clique
nos recortes de jornais para ampliar as imagens)
"... uma
coisa eu concordo: Os balões dificilmente causam algum tipo de dano
à sociedade e ao meio ambiente. Falo isso no alto dos meus quase 30
anos de balão e me considero uma pessoa bem informada. Agora, não
podemos ser hipócritas e temos que admitir que o balão, como é
feito e solto hoje, pode trazer perigo. Afinal,
depois que ele é solto e liberado das guias, fica totalmente a mercê
do vento e de sua propulsão, que é a bucha inflamável. Nada mais
podemos fazer e nem prever onde ,quando e como ele vai cair. Sabemos
hoje que certos tipos de materiais usados na bucha aumentam muito a
chances de que eles caiam apagados. Mas não podemos afirmar, com 100%
de certeza ,que isso realmente ocorra. Ainda existe a possibilidade da
queima do balão ainda no alto. Oras...Todos nós, eu e você, sabemos
disso. Quem disser qualquer coisa contraria, me desculpe, mas não
sabe o que está falando. A não ser que prove que seus balões são
100% seguros. Se um dia isto existir, nossa arte estará salva."
A
oportunidade de estarmos conversando pela Internet como se
estivessemos em volta de uma grande tábula é única no início
do III milênio e nos congratulamos com o Planeta Balão por
favorecer esse exercício do diálogo.
Lembro o que disse para o Kenny, de Curitiba, sobre regulamentação e locais para
soltura de balões:
"Não
há utopia na sua idéia, ela tem lógica, é intuitiva, mas o balão é
como o automóvel, a pessoa se habilita para dirigir, adquire o
auto e passa a dirigi-lo nas vias, apesar dos riscos (20 a 30.000
mortes por ano no Brasil). Para o balão ser praticado de forma
responsável é simples: credenciamento do baloeiro ou turma,
identificação do balão ao dono, assim deixará de ser coisa sem
dono. Tanto quanto possível, conformar a técnica para soltura,
como hoje, de modo geral, já acontece. Quanto à recuperação ou
"resgate" pode ser disciplinado.
Você
já constatou o percentual dos balões que apagam antes de descerem ao
solo? E procurou saber por que apagam? E os que descem acesos,
saber por que descem acesos? E as lanternas que apagam e as
que não apagam? Tudo sobre o balão está no domínio de quem o
pratica e duvidar sobre o local da descida é argumento irrelevante
pois o avião, por exemplo, está no domínio do piloto todo tempo, mas
cai e mata. O automóvel, ídem.
Agora
vamos aos números e fatos: no Rio, por exemplo, são soltos 20.000
balões (mínimo) por ano, de todos os tamanhos e feitios e qual o
resultado sinistro dessa atividade? Um ou outro acidente ou incidente
que você "pode contar nos dedos" e se estimarmos pelo
tempo de vida desse costume vamos desmistificar toda infâmia
contra o balão produzida pela mídia atual.
Você
sabia que até mais ou menos 1980 a imprensa não condenava o balão,
nem as Festas Juninas?
As
Org. Globo, imprensa escrita, falada e televisada, lider de audiência
no Brasil, cabeça pensante da política brasileira, que elege e
afasta Presidente, e a chamada "modernidade", mais
ou menos se confundem na oposição ao balão, leia e veja:
Brasil, 1980-1981, antes
da "guerra civil", anos em que foram publicadas essas
reportagens.
Percebam os títulos:
"Balões: através das fotos, a história de uma arte
harmoniosa"; "O que os olhos vêem e o coração sente".
Constatem
a contradição para os dias atuais. Alguns órgãos de imprensa
passaram do elogio, da exaltação da arte, para a mais abjeta das
condenações do "balão junino". E segue uma perseguição só
ocorrida na história humana com o advento do cristianismo. O que
terá ocorrido para justificar essa mudança do entendimento? Dizer que
o balão foi criminalizado, não basta, porque antes ele era tipificado
como contravenção. O fato é que estamos vivendo o odioso processo de
segregação social, isto em plena vigência da escrita "Constituição
Cidadã", aquela que se dizia restaurar a plenitude dos
direitos individuais. Na verdade ela está vilipendiada, corrompida pela
degeneração da política, aviltada pela ação de aventureiros e
oportunistas que se instalaram no poder democrático, o legislativo, e
como mutirão estão atropelando as instituições da república
para atingirem seus interesses escusos. Isso explica o estado de
"guerra civil" instalado nas periferias das grandes
cidades brasileiras e até no campo.
Aristóteles define política
como a arte mestra porque visa o bem humano. Ora, no Brasil de hoje
estamos passando pelo curso reverso ou convivendo com a antipolítica.
Até quando...
O "balão
junino" é vítima dessa avassaladora onda antidemocrática, em que
minorias ocasionais, ascendentes no legislativo, passaram a interpretar
ao seu talante as coisas do povo e legislam contra o povo.
Assim, se conclui que a prática
do balão nada tem de diferente se comparada a outras práticas
humanas com a peculiaridade de que é intuitivo, passível
de ser manipulado por qualquer pessoa, e acontece independente das
regras do Estado."
Amigo
Roberto, quando se pergunta a um aviador sobre a segurança do avião
ele responde que avião é o transporte mais seguro do mundo. Esta
resposta, naturalmente, é justificada pelo índice de acidentes causados
pela aviação comparado com os números de outras
máquinas utilizadas para o mesmo fim.
Nos instrumentos
de voar há um fator comum, o risco potencial ou perigo, mas o
nosso balão, com seu empirismo e falhas eventuais, ainda é mais
seguro do que qualquer outro instrumento produzido pela arte humana,
pela especificidade da obra e fim e a pequena incidência
dos problemas gerados pela sua prática, basta comparar os números para
esta constatação:
Avião:
acidentes e mortos; fonte CENIPA.
Veículo
terrestre: acidentes e mortos; fonte Polícias rodoviárias.
Balão:
acidentes e mortos; ainda não tem estatística, mas sabemos
que é residual.
A
turbulência provocada pela vigência do Art. 42 da Lei 9.605, de 12 de
fevereiro de 1998, é passageira, pelo menos tem o mérito de
reunir e unir os baloeiros em torno da defesa dessa arte milenar que
praticamos.
Abraços.
Humberto
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