Modelado de 47m Posto & Luart e Brasa

Superação e amor a arte

É com muito prazer e alegria que neste momento contamos um pouco da história de um dos nossos principais trabalhos nestes 7 anos que estamos completando de turma. 

O Começo de tudo...

Após a incrível soltura do nosso Truff de 33m em homenagem ao Guga começamos a planejar o nosso próximo projeto e aproveitando a empolgação que tomou conta da nossa turma decidimos que faríamos outro Truff só que desta vez de 40m que também seria bandeira em outra homenagem que mantemos em sigilo até hoje. Estávamos reunidos em um churrasco quando o um amigo comentou sobre o interesse da Brasa Rio em soltar a bandeira do seu histórico Truff de 45m com uma turma de São Paulo.

Encaramos esta possibilidade como uma grande chance para a nossa turma apresentar a sua real capacidade com a confecção de um balão de grande porte e ainda oportunidade de trocar experiências com uma das melhores e mais renomadas turmas da história contemporânea e atual da nossa arte.

Após alguns contatos feitos por nosso amigo, chegou a nossa vez de tomar a frente das conversas onde conhecemos o Renê, uma pessoa muito bacana e aberta ao diálogo que acenou em nome da Turma da Brasa de forma positiva, mesmo sabendo que a nossa turma ainda não tinha um grande nome entre os baloeiros, mas ainda assim nasceu a parceria Posto e Luart e Brasa Rio.

A primeira dificuldade que se transformou em oportunidade...

Mantivemos o nosso planejamento, mas como tínhamos que mostrar para os nossos novos parceiros que realmente tínhamos interesse em soltar juntos a bandeira decidimos buscar alternativas para o corte do balão. Foi quando sentimos as primeiras dificuldades, pois queríamos comprar papel hulk e como as pessoas sabiam dos nossos planos jogavam o preço lá em cima e isto aconteceu inúmeras vezes com diversas pessoas e uma grande variedade de papel que pesquisamos e tentamos fechar negócio. Sentimos na pele a lei da oferta e da procura, porque as pessoas pensam que só porque vamos fazer um balão de grande porte significa que temos muito dinheiro a disposição, e isto nunca foi verdade.

Certo dia nosso amigo trouxe uma possibilidade que não tínhamos pensado ainda, pois queríamos o Truff de 40m. A idéia era a de comprar um balão já cortado e quando ele falou qual era o balão topamos na hora, pois era um balão que já conhecíamos o Lapidado de 47 m que era do Amigão (Falcões do Céu – Guaianases) e que estava com Os Naypes, mas depois de algumas conversas com o nosso amigo o negócio parecia complicado, quando tomamos a frente e fechamos o negócio com um só telefonema onde falamos com o Vitor e o Borto que é um amigo de longa data e assim sentimos a primeira grande emoção ao buscar este gigante e levar até a nossa sede, quando avisamos para o Renê que já tínhamos o balão e os nossos planos começavam a dar certo.

A história do projeto...

Se nos dissermos aqui que desde o início da história deste balão o projeto era o que subiu seria uma grande conversa fiada, não é, na verdade o balão seria montado no Hulk, mas pela dificuldade em achar o papel a um preço justo e pelo fato do lapidado ser cortado no hulk verde decidimos decorar e fazer uma homenagem as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Decidimos então adaptar os desenhos a um fundo de pôr-do-sol de forma que se transformasse em um brasão entrelaçados simbolizando a união das duas turmas usando inclusive a bandeira dos dois estados e iniciando uma nova tendência em nossos projetos, que é a bandeira do Brasil nas decorações. Foi então que conhecemos o Sola e através de dois esboços que mandamos para ele, criou este fantástico projeto que agradou bastante a nós e aos integrantes da Brasa nos deixando cada vez mais animados em ver o resultado final.

 

O início dos trabalhos...

 

A confecção começou no dia 13 de outubro de 2009 a todo o vapor começamos o fechamento dos cones sem se descuidar da segurança indo ao limite dentro do que sabíamos e do que era possível para nós, o cintamento do balão era todo de 10 em 10 cm, sem economia e após quatro meses todos os cones estavam prontos para serem forrados e a decoração era feita simultaneamente em outra bancada.

Conforme a decoração estava ficando pronta, os cones eram forrados e mesmo após uma suspeita de denúncia a nossa sede, onde tivemos de parar tudo e dar um tempo para depois retomar o trabalho com força total após 5 meses o balão estava forrado.

 

Superação e amor a arte...

A velocidade com que o projeto vinha sendo realizado só foi possível graças a alguns componentes da turma, que durante este tempo iam até a bancada caminhando (cerca de 1:30h) com sol ou com chuva sem se abalar, sempre acreditando em ver o balão pronto e como acontece em todas as turmas as vezes uns ficam mais próximos e outros se afastam por muitos motivos, mas estes bravos guerreiros foram fundamentais para a turma.

Certamente só nós a Brasa e os nossos amigos verdadeiros podiam acreditar no que estávamos fazendo e isto muitas vezes motivou a turma a ir até o final sem aquela preocupação sobre o resultado final, pois tínhamos um balão sem dúvida muito bem feito e isto sempre nos deu muita confiança e cada estiletada e cada colagem o prazer só aumentava.

 

A etapa final...

Após os cones ficarem prontos chegava a hora da união e com ela alguns problemas, pois só tínhamos 10 m de bancada, aí era um puxa pra cá e dobra pra lá danado e aí foram mais dois meses de trabalho até que o balão ficasse totalmente pronto.

Quando tivemos a certeza de que tudo estava pronto avisamos aos amigos da Brasa, assim era chegada à hora deles trazerem a bandeira para São Paulo.

Como nenhuma etapa deste balão foi sem sofrimento, em um belo domingo recebemos um chamado da Brasa para pegarmos a antena que estava a caminho de São Paulo e enquanto a turma aguardava a antena chegar na estrada o céu veio abaixo no final do dia e como o caminhão não passava pela ponte foram mais de quatro horas de sofrimento para carregar a antena nos braços até a primeira porteira e dois dias depois o mesmo sofrimento para deixar a antena no galpão, pois os carros não conseguiam chegar ao local devido ao barro que havia se formado na estrada, sem contar que quase a antena foi perdida por motivos que os baloeiros já conhecem não precisa detalhar.

Na véspera da soltura os amigos da Brasa chegaram e trouxeram a bandeira onde finalizamos os preparativos para a soltura.

O grande dia...

Na manhã do dia 21 de Abril após alguns dias e noites de tempo perfeito a madrugada e a manhã perfeita, tudo pronto, antena posicionada cabresto esticado e bucha acesa, mas na hora da saída do gigante começou o vento e aconteceu aquilo que todos que estavam lá presenciaram.

O clima no campo após a soltura era de tristeza e mesmo com o balão indo embora, não queríamos aceitar e acreditar no que tinha acontecido.

Muitas pessoas que estavam torcendo contra foram para as suas casas felizes e elas estavam lá como estão em todos os balões, afinal torcer contra é muito mais fácil do que construir um dos balões gigantes mais bonitos da história.

Fora isto, ficou a fantástica experiência que tivemos de conviver com uma das maiores turmas de todos os tempos e porque não dizer nossos ídolos, uma lembrança inesquecível que com certeza tornará a turma muito mais forte e unida em futuros projetos.

Tudo isto só foi possível graças a pessoas como o Chico e o Renê juntamente com os amigos da Brasa que acreditaram nas nossas palavras mesmo sem nos conhecer, mas com a certeza de que somos homens de boa fé e de coragem para enfrentar os mais difíceis desafios.

 

Agradecimentos...

Somos eternamente gratos ao Silvano, Chiqué, Lecinho, Homero, Valdir, Gomão, e vários amigos que sempre acreditaram em nós e no nosso talento e amor a arte.

Humildemente agradecemos a oportunidade que nos foi dada de contar a história do nosso balão para os leitores do Planeta Balão, sem a pretensão de aparecer ou de sermos maiores do que outros já são. Na verdade grande é a arte, grande é a magia de soltar um balão, grande é a amizade e a atitude das pessoas que dedicam grande parte do seu tempo e de sua vida colorindo o céu sem sequer saber tecnicamente porque o balão sobe, mas simplesmente para sentir aquela sensação de liberdade que um balão nos trás. 

Aprendizado...

Sempre investir boa parte do tempo da confecção do balão na segurança, fazendo bem feito e cintando bem o balão.

Sempre acreditar que tudo pode ser realizado, sobretudo apostando na amizade como a maior motivação para seguir em frente independente da dificuldade.

UNIÃO POSTO & LUART E BRASA RIO A PARCERIA QUE DEU CERTO. 

 

Ficha Técnica – Lapidado de 47m
Corte: Emenda (Pentelho)
Molde: Space Jam
Gomos: 136
Cones: 6
Fios Verticais: 3 fios p/gomo
Bainhas: 2 cm
Respiros: 8160 (60 p/ gomo)
Quantidade de cola: 50 Kg
Quantidade de fio dental: 6 Cones
Quantidade de cintas: 470 (de 10 em 10 cm)
Quantidade de durex: 900 Rolos
Folhas de seda: 26.000
Diametro da boca: 3,66 m
Peso da bucha: 150 Kg (Algodão e Parafina)
Tamanho da antena: 75 m
Tamanho da bandeira 74 X 110 m
Tamanho do cabresto: 160 m
Quantidade de guias: 9 (8 mm)
Tempo gasto com a confecção: 18 Meses

 

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